Mercado de vinhos no Brasil: crescimento, inovação e a valorização de rótulos nacionais
Mercado de vinhos no Brasil: crescimento, inovação e a valorização de rótulos nacionais

E outras denominadas taninos dão ao vinho o amargor e a sensação seca e adstringente na boca. Aos vinhedos, eles oferecem proteção contra os animais de pastagem e outras pragas. Alguns produtores reorientaram suas fileiras para a direção nordeste-sudoeste, para que o sol não atinja diretamente as uvas - o que causa perda de substâncias como as antocianinas, que dão a cor das uvas tintas. Quem controla a maior base de consumidores controla o poder de fixar preços.

Experiências, não apenas garrafas — o enoturismo como tendência

Além disso, a transparência sobre o processo de produção é mais valorizada do que nunca. Os consumidores querem saber como e onde o vinho foi feito, quais são as práticas de sustentabilidade adoptadas e como o produtor respeita o terroir. A diferença entre vinhos industrializados e os vinhos artesanais é nítida, basta saber quais padrões a vinícola utiliza para a elaboração de cada tipo. O vinho industrial vem, na maioria das vezes, de uma produção terceirizada de uvas, ou seja, a vinícola não possui vinhas próprias, precisa adquirir de outra propriedade e acaba muitas vezes misturando as uvas de vinhedos variados. O Brasil tem, hoje, reconhecimento mundial pela produção de espumantes de excelente qualidade – com destaque para a região da Serra Gaúcha. Graças ao clima favorável e ao aprimoramento técnico ao longo das décadas, os espumantes brasileiros conquistaram espaço entre os consumidores pelo seu frescor, vivacidade e versatilidade.

Por que vinhos artesanais estão conquistando cada vez mais apreciadores

Posteriormente, as autoras realizaram um teste cego informal na mesa da cozinha de Ula Chrobak, em Reno (Nevada, Estados Unidos). A experiência é "retronasal", ou seja, o aroma eleva-se para os seios nasais quando o vinho está na língua. Estima-se que 20 a 25% das pessoas não conseguem sentir esse sabor, possivelmente porque sua saliva não contém as enzimas que rompem as ligações que liberam as notas de fumaça. O sabor é mais pronunciado quando as frutas são imersas em fumaça nova, em vez de fumaça mais antiga. Entre as principais variedades utilizadas na elaboração, destacam-se a Chardonnay e a Pinot Noir, seja no método Charmat (mais leve e frutado) ou no método tradicional (com maior complexidade e cremosidade).

As montanhas capixabas e o turismo de experiência

Ele também plantou uma reserva de emergência da variedade Sagrantino - "com 20 anos de estrada" - que é rica em taninos, que as uvas Cabernet Sauvignon perdem durante as noites mais quentes. Durante nossa visita ao vinhedo experimental, Kurtural para em um ponto para indicar uma fileira de vinhas serpenteando ao longo de um único fio suspenso no alto. Ele explica que este estilo de treliça funciona de forma similar a um bom filme protetor, permitindo que as próprias folhas das videiras protejam as frutas. O filme vencedor permitiu ainda a passagem de luz suficiente para acúmulo dos compostos dependentes do sol, criando um vinho tinto mais completo e encorpado, segundo explicou Marigliano à audiência.

O papel mais importante de uma Denominação de Origem é o norteamento de uma região. Quando um investidor chega à região, ele tem os rumos que deve tomar”, diz Daniel Panizzi, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra). O resgate de 207 trabalhadores mantidos em condições análogas à escravidão por uma empresa que prestava serviço às vinícolas Aurora, Salton e Garibaldi mostra que o setor ainda enfrenta desafios diversos. O devido cancelamento dessas marcas nas redes e no mercado não deve trazer impacto ao mercado como um todo. Mas certamente o caso deve ser encarado como uma deixa para o segmento rever processos. Com nota máxima (5/5) e potencial de guarda até 2042, este vinho exibe uma cor vermelha rubi profunda.

Após é efetuado pisa a pé e em seguida ocorre a fermentação alcoólica durante 15 dias com macerações suaves. Existe em todo o vinhedo uma combinação única de clima, geologia, variedades de uvas e trabalho humano. A palavra francesa terroir, na verdade, significa solo e é usada para descrever todo o ambiente no qual a vinha se desenvolve. Vinho é, genericamente, uma bebida alcoólica produzida por fermentação do sumo de uva. Na União Europeia, o vinho é legalmente definido como o produto obtido exclusivamente por fermentação parcial ou total de uvas frescas, inteiras ou esmagadas, ou de mostos. Cientistas também desenvolveram um processo de eletrodiálise que pode aumentar a acidez do vinho removendo íons como potássio.

Cervejas artesanais no Brasil: pesquisa revela detalhes sobre consumo

Buscam entender o que o terroir tem a oferecer, e não apenas o que o mercado “espera” que ele produza. É possível vivenciar experiências completamente diferentes a poucas horas de distância, do frio da Serra Catarinense ao calor do semiárido pernambucano, da neblina da Mantiqueira ao sol do Cerrado mineiro. Mas o fenômeno vem ganhando cada vez mais força no Brasil, com uma venda de vinhos cara própria, criativa e diversa, em sintonia com o modo de vida das novas gerações.

Em 2020, para ajudar as vinícolas com uma retomada sustentável, Diego Fabris fundou a Wine Locals, uma plataforma de experiências voltada para o mundo do vinho. Do local ao internacional, o mar­ketplace oferece desde eventos de vinhos em diversas capitais até visitas a vinícolas no Vale dos Vinhedos, Uruguai e Chile, e em breve na Argentina. “Focamos as experiências para que as pessoas conheçam e degustem mais produtos, seja em uma viagem, seja na própria cidade”, diz Fabris. Entre os eventos há desde harmonização de vinhos e ostras na Grand Cru, em São Paulo, até tours e piqueniques em vinhedos, que inclusive foi a experiência mais vendida em 2020. “As pessoas podem ter contato com a natureza e com o vinho com segurança”, garante. A versatilidade do espumante também é um reflexo do crescimento do consumo.

“Nos últimos anos, o brasileiro passou a enxergar o vinho como uma bebida mais acessível e compatível com diferentes ocasiões. Isso impulsionou tanto as vendas quanto a produção local”, explica Bertolini. Usadas tanto na produção de espumantes brancos e rosê, como na de tintos secos e suaves, as uvas do tipo Syrah são bastante produzidas no nordeste, na região do vale do Rio São Francisco.